Evoluções

Transitavam.

Nas poças d’água, a indiferença de dois pedestres. Não para ele, habitante eterno na sua casa. Presente ali. Em cada parede, um fragmento da história. Sua escrita, intensamente lida.

Distorcida, somente a imagem do prédio espelhada no acúmulo das chuvas. Cada palavra, cada verso e cada uma e todas suas poesias eram harmonia. Ainda são e sempre serão.

Mario Quintana. Ele, porto-alegrense de coração. Alma talhada no afeto. Não dá para esquecer.

A enxurrada deixou marcas. Um carro, dois troncos grossos, folhas, copas de árvores, lá estavam, na Rua da Praia, sem serem vistos, atravancando o caminho, porque o mundo tem pressa e ele passarinho! (Poeminha do Contra)

O prédio da Casa de Cultura Mario Quintana, esse estendido, ao infinito. Não passará. Perpetuado pelo poeta. Seu sorriso tímido, sua humildade e perspicácia. Ele registrado no quarto, no banheiro, na sala de café, na cozinha, na recepção, no balcão externo, no corredor daqui para lá. Ele frequentava.

Viver tão só de momentos, como a água que se derramou das nuvens do céu. (Canção do dia de sempre)

O prédio e a cultura permanecerão Mario Quintana.

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