Reflexões

Gosto, como tantos, de fotografia. Não sou um profissional, nem pretendo ser. Melhoro meu aprendizado fazendo o que posso com uma máquina que me permite fazer escolhas melhores do que apenas enquadrar e apertar o botão. Quando jovem, gastei muitas poses dos filmes da kodaquinha que tinha em experimentos. Os efeitos finais só veria dias depois, após revelar. E que vergonha era ver confesso os tremendos erros de exposição, abertura e tais. Não adiantava nada anotar previamente todos os controles, os erros se repetiam ou se apresentavam novos. Foto atrás de foto.

Hoje, na câmera digital, consigo ver o resultado instantaneamente e julgar com presteza, a ponto de fazer as correções necessárias e clicar de novo. Decididamente, a tecnologia facilita aos amadores, amantes dessa arte. Tenho vários amigos e amigas profissionais do ramo. Não os invejo, mas acompanho com humildade e admiração os seus trabalhos. Sei aplaudir quem merece. E continuo com minhas experiências.

Ao fazer uma mudança, encontrei diversos álbuns de fotos, daqueles que fazíamos para mostrar aos amigos e familiares – no meu caso, para ficar analisando os erros e acertos que tinha cometido. A saudade do tempo em que não tinha tantas exigências de trabalho foi se aproximando e grudou feito chiclete. Nostalgia não é meu forte, mas a idade vai nos colocando mais perto do fim e, sem pensar muito, nos vemos encarando a possibilidade da morte.

Essa viagem de espanto e de lembranças pode ser restauradora, e foi. Beira à euforia o estado em que entrei ao descobrir que já fiz tanto nessa vida. Modesto como sou, revi todos os momentos em que fui ajudado e em que auxiliei quem precisava. As pessoas a quem toquei e às muitas que me fizeram ser o que sou. Sou feliz, e assim serei por muito tempo mais. Recordar todas as pequenas aventuras de um filho que hoje é um adulto que me olha de cima, tão alto, é bom, né?

Nós, pessoas comuns, costumamos não nos entender e não damos valor ao que somos, a tudo de bom que fazemos e fizemos. Continuamos a caminhar pelas ruas a olhar para o chão, a evitarmos o olhar do outro. Mas aí encontramos as poças, grandes ou pequenas, que nos fazem olhar novamente para o alto, para acima de nós, para as fachadas dos prédios, para os telhados das casas, para os campanários das igrejas… e para o céu, o nosso céu de diamantes!

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