Raízes

Hoje, ao fazer minha caminhada matinal, uma árvore me chamou a atenção. Parei para olhá-la pois sua aparência era diferente.

Estava inclinada com seus galhos e folhas a caírem para o mesmo lado. Parecia estar cansada. Cansada do vento, do peso dos galhos com suas folhas, da vida. Suas raízes extrapolavam seus limites internos e se sobressaiam pelo cimento. Era como se quisessem fugir dali. Sensação indescritível observá-la.

Continuei a andar e me deparei fazendo uma analogia da árvore com as nossas vidas. Quantas vezes não somos iguais?

Ao nascermos nossas raízes são pequenas, iguais as de um grão de feijão. Simples, frágeis, sem lembranças ou histórias. Trazem apenas a esperança.

Mas a vida se encarrega de fortalecê-las e enrijece-las. E, quando vemos, nos agarraram. Ficamos a mercê de suas vontades.

Nos envolvem e, quando vemos, estamos presos a elas fazendo todos os dias, tudo igual. É o café coado no amanhecer, a labuta dia a dia como forma de sobrevivência, a transmissão de sabedoria através do ensino aos aprendizes – assim como nos ensinaram –, a noite mal dormida com o passar dos anos, o beijo automático, o sexo sem sentido, o amor esvaziado, a vida rotineira e entediada. Estamos presos em nossas próprias raízes.

É a vida, dirão.

Não, não é a vida – direi. Somos nós que, antes, de forma passiva, permitimos que as raízes nos dominassem, nos possuíssem. Por comodidade, medo, preguiça ou qual motivo for.

Diferente da árvore, sabemos por onde começar a respirar; assim temos força de afastar cada uma das raízes que tolhem nosso movimento. Podemos chamar essa atitude de “a grande virada”. Ainda bem que isso acontece, principalmente se for ao raiar do entardecer.

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