O Centro, a Feira e Quintana

O centro das grandes cidades sempre gera boas discussões. Uns amam, outros odeiam. Prédios históricos, orgãos públicos, comércio e muita movimentação de pessoas. Conheci o centro de Porto Alegre ainda criança. Lembro de ir no Rua da Praia Shopping logo que lá inaugurou a primeira loja do Mc Donald’s da cidade. Costumava ir na Mesbla, na Renner entre outras lojas com meus pais. Lembro que uma vez ganhei uma camiseta do Inter comprada na Pavão Esportes. Também fui comprar jogadores para o meu time de botão na Mimo, ali na Fernando Machado.

Passaram os anos e comecei a frequentá-lo sozinho, ainda na adolescência e depois no período de faculdade e de vida profissional, quando trabalhei em vários endereços do nosso Centro Histórico. Gosto de caminhar na Rua da Praia, da Praça Dom Feliciano até a Usina do Gasômetro, de passar pelas diversas bancas do mercado, subir a Borges de Medeiros, almoçar num dos tantos buffets, tomar um chope no mercado ou no Tuin.

Além disso, é no centro que ocorre o evento mais interessante da cidade na minha opinião: A Feira do Livro. Durante duas semanas entre o final de outubro e a primeira quinzena de novembro centenas de bancas oferecem livros novos (alguns usados também) com desconto. Autores da cidade, do estado e de outras localidades participam de incontáveis sessões de autógrafos. Uma grande oportunidade de renovar a estante com títulos interessantes e prestigiarmos essa espécie em risco de extinção: as pequenas livrarias.

Quando falamos em livros, Feira e no centro de Porto Alegre, é impossível não lembrar de Mário Quintana. O simpático poeta morou em pelo menos quatro hotéis do centro de Porto Alegre: Um Apart Hotel na André da Rocha, o Hotel Presidente na Salgado Filho, o hotel Royal na Marechal Floriano, a convite do então proprietário Falcão, sim, ele mesmo o rei de Roma e, é claro, o Hotel Majestic, onde fica a Casa de Cultura que levou seu nome antes mesmo de sua morte em 1994.

Quintana era visto com frequência pelo centro da cidade, muitas vezes caminhando pela Rua da Praia, outras tantas visitando as bancas da Feira. Ou então tomando um cafezinho.

Pelo jeito eu e o poeta jogamos no mesmo time.

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