Não há inércia na psilocibina

Era noite. A praça estava vazia. Silêncio. Era possível ouvir o vento navegando entre os grandes prédios. Nenhum carro. Nenhuma pessoa. A cidade parecia estar abandonada, mas todos estavam em suas casas, menos eu, pelo menos, assim me parecia.

Sentei no meio daquela grande praça e resolvi comer minha psilocibina, afinal a noite era propícia, havia uma certa inércia. Era minha primeira experiência com cogumelos, mas queria estar só, para sentir mais. Me sentir, por dentro e por fora.

Sentir na inércia. No início, fiquei mais perceptível, a grama parecia mais verde, o zumbido do vento mais nítido, conseguia ver as pequenas formigas andando pela grama, apesar da escuridão que nos cercava. Quanta beleza!

Aos poucos, o silêncio se desfez, o vento ficou insuportável e quando tentei encontrar conforto nas formigas, elas eram gigantes e não caminhavam e, sim, corriam! Olhei ao meu redor e tudo ganhou vida e cores, não havia mais inércia!

Cores! Cores! Cores! Cores que não estavam estagnadas.

Vento, formigas, árvores, gramas, asfalto, meu corpo, tudo se movia, tudo acelerava de uma forma descontrolada. Meu corpo gritava, pedindo desculpas, dizendo para eu aceitá-lo para não enlouquecer.

Corri desesperadamente pela praça, tudo corria junto. Movimentos coloridos e desesperados, enlouquecedor. Cansei e deitei na grama, mesmo deitado, sentia meu corpo vibrando, olhava para as avenidas e não havia carros, apenas cores.

As horas passavam coloridas, até que o efeito da psilocibina foi passando também. Aos poucos, fui voltando ao normal.

O que dizer dessa experiência?

Por enquanto, apenas digo que não há inércia na psilocibina.

Tudo é movimento.

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