Havia, na Porto Alegre dos anos 1980, uma dupla de irmãos, os Cardoso, famosos em promover festas de verão, regadas a muito chope, muita comida, muito samba e muito mistério.
Todos os que já tinham frequentado as festas da dupla comentavam que era algo fora do comum. Música envolvente. Comidas divinas. Bebida gelada na medida certa e sempre paravam por aí, o que despertava a curiosidade de quem não era convidado. O sucesso não poderia ser só pela comida, pela bebida e pela música. Havia algo escondido naquelas festas!
Nelson, contador de uma repartição pública, era colega de trabalho de Antônio, um vip nas festas dos Cardoso. As coisas que Antônio lhe falava sobre as festas o deixavam maravilhado e curioso.
Um dia, Antônio deixou escapar um detalhe que deveria ser segredo sobre as enigmáticas festas. Ele falou que só homens frequentavam as festas dos irmãos Cardoso. Nelson ficou mais intrigado e ainda mais a curioso. Percebendo que teria falado muitas vezes sobre as festas, e notando a extrema curiosidade do colega, avaliou que já estava na hora de convidá-lo para a próxima data.
Chegado o dia, Nelson e Antônio na beca, saíram do trabalho e foram para o palacete da Avenida Independência, local das famigeradas festanças. Chegando lá, clima de camaradagem, muito espumante, chope, vinho, canapés, camarões gigantes, até que uma batucada começa a fazer tremer o peito dos convidados e a atração principal do evento adentra o jardim. Uma delegação de jovens mulheres seminuas dançando ao som de uma frenética batucada. Nelson falou:
— Parece uma ala de escola de samba.
Antônio com enorme sorriso, retrucou: — É a “ala dos prazeres”, meu caro!
Então o estreante na festa começa a entender o porque de se falar tão bem dos festejos Cardoseanos. Não era a bebida, nem a comida e muito menos a música. O que realmente cativava os convidados era a luxuria!
Os homens ficavam enebriados com a beleza das dançarinas que, versadas nas artes do prazer, ao menor sinal, iam atender aos desejos mais secretos dos ansiosos rapazes.
Tudo estava perfeito até que o infeliz Nelson, depois de provar prazeres mil com várias garotas, passa por um dos quartos da mansão e reconhece a menina que estava fazendo um “showzinho” particular para um pequeno grupo. Ele para na porta, vê Laís, a sua casta noiva, fazendo coisas que ele jamais teria coragem de lhe pedir que fizessem juntos. Desnorteado, correu para fora da festa.
No dia seguinte Antônio lhe questionou.
— E aí colega, Gostou da festa?
— Sim, só que bebi demais e estou com uma enorme dor de cabeça.
— Peço desculpas colega, mas eu tinha de lhe falar e não sabia como. Ainda bem que você, conseguiu reconhecer a sua noiva e saber o que ela faz para ganhar a vida. Eu a flagrei há algumas semanas e não sabia como lhe contar, então comecei a lhe falar bem das festas a ponto de você ficar curioso, aceitar o convite e acabar vendo a sua noiva “trabalhando”.
Nelson agradeceu ao amigo. Cancelou as bodas e não perdeu mais uma festa sequer na casa dos irmãos Cardoso.

