Ao chão

Você já reparou que não temos nenhum domínio sobre determinadas situações que nos deparamos no decorrer de nossas vidas? Pensamos que temos o controle. Ledo engano! Controlamos absolutamente nada. O acaso vem e toma conta. E seja o que Deus quiser! Encaramos muito sustos, medos, sofrimentos, desafios. A vida é cheia de surpresas boas e ruins. Às vezes vêm tudo junto: alegria e tristeza, choro e riso, saúde e doença, vida e morte. Ainda bem que há sempre os dois lados. É a dicotomia existencial. Assim, temos o equilíbrio das emoções para, pelo menos, tentarmos amenizar tal agonia.

Ontem, a alegria dominava, o mundo era cheio de cores, a luz brilhava e me chamava. Hoje, está tudo cinzento. As lágrimas viraram chuvas que se transformaram em poças gigantescas. Meu coração se afoga em meio a tanta dor ao meu redor. O céu está no chão enlamaçado e molhado, confundindo-se com a cor escura da água suja que corre onde caminho.

Observo as pessoas ao me lado. Todas com um destino a seguir. Em que estariam pensando? Para onde estão indo? Gosto de imaginar histórias dos transeuntes que passam por mim. Procuro desviar o meu olhar. A rua é bonita, um pouco barulhenta, talvez. As árvores ainda estão verdes, mas estranhamente boiam no chão. Os prédios estão caindo para dentro da imensa lágrima que derramei. Tudo se constrói e se destrói em questão de milésimos de segundo. Tudo depende da perspectiva de nosso olhar.

Caminhar pela cidade sempre foi muito prazeroso. Tanto faz se o passeio for no centro ou no meu pacato bairro arborizado. É o momento das divagações, questionamentos e de orações. Às vezes, o certo vira incerto, o que era, já não é mais, o bom passa a ser ruim, o belo fica feio, o doce agora é amargo.

E, de repente, tudo foge de nossas mãos. Há uma guinada em que não somos mais o piloto de nosso destino. Tornamo-nos impotentes. A vida ficou de cabeça para baixo.

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