A nossa Redenção

“Atravessa a Osvaldo Aranha, Entra no Parque Farroupilha”

Frank Jorge e Marcelo Birck

Durante dois ou três anos da minha vida, nos anos 1990, tive a rotina de ir andar de bicicleta na Redenção três vezes por semana pela manhã. Estava nos meus primeiros anos de luta contra a balança, e pedalar era uma das atividades físicas escolhidas para fechar a conta na adição e subtração das calorias.

Normalmente ia durante a semana, quando o parque tinha, e acredito que ainda tem, um público muito mais dedicado a prática de exercícios, seja caminhada, corrida, voltas de bicicleta e jogos de futebol nos campos e nos gramados.

Mas o Parque Farroupilha não marcou a minha vida e de muitos moradores somente por ser o local das atividades físicas. Pelo contrário. Fazendo fronteira por um lado com o Colégio Militar, e do outro pela Universidade Federal (UFRGS) estando entre o centro e dois bairros tradicionais e boêmios, Bom Fim e Cidade Baixa, é o parque com mais manifestações políticas e culturais. Em especial aos domingos, quando ocorre o tradicional brique, com venda de artesanatos e antiguidades. Em período eleitoral, ou mesmo fora dele, é o ponto de encontro, de debate e até de embate de muito dos atores políticos da cidade e do estado.

É lá também que fica o Auditório Araújo Viana, um dos mais importantes palcos de Porto Alegre. Mas os shows não são exclusividade dele. Aos domingos, diversos artistas de rua se apresentam no asfalto da Rua José Bonifácio, entre músicos e comediantes. Além de sediar anualmente o baile de aniversário da cidade, o parque costuma receber diversos shows gratuitos de nomes importantes da música em palcos montados perto da Setembrina e do Instituto de Educação. No Araújo ou no próprio parque já tive a oportunidade de ver entre muitos outros: Paco de Lucia, Lenine, Paralamas do Sucesso, Yes, Rick Wakeman, Milton Nascimento, Deep Purple e Erasmo Carlos.

Essa variedade de eventos, a sua localização central, sendo facilmente acessado por transporte público, faz com que ele seja um bom reflexo da cidade. É onde podemos nos divertir ao som de grandes artistas, manter a mente e o corpo são, exercer a democracia, ou somente observar as crianças brincando num belo dia de primavera.

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