A autoestima da cidade

Na primeira vez que fui a Los Angeles, terra do cinema, o que chamou minha atenção foi a urbanização das praias. Podia-se mergulhar no oceano, mas também pedalar, levar as crianças no playground, usar o banheiro e andar de montanha-russa no píer. Fiquei me perguntando por que nossas praias não eram assim.

Mais adiante, a prefeitura de Florianópolis derrubou os restaurantes irregulares na praia Brava. Após cinco anos de escombros, a comunidade aprovou o projeto de uma praça na esquina de casa. À medida que as pedras portuguesas eram assentadas e plantados os canteiros, as pessoas refreavam o passo, voltando-se a cada recanto, para logo erguerem os olhos no horizonte, respiração plena, fluindo em direção à passarela da praia. Os frequentadores desfilavam na praça, sentindo-se valorizados por um local construído para eles. De fato, o cuidado urbanístico elevou a autoestima das pessoas.

Tive o mesmo sentimento nas últimas idas a Porto Alegre. Lá vivi entre 1989 e 1997, pela Cidade Baixa, Bom Fim e Petrópolis, sem atentar ao Guaíba em tempos de estudante. Mas na penúltima viagem, fui conhecer a orla. Vi seu bar 360º, vôlei de praia, pipocas e açaís incrementados, meu filho a explorar as passarelas sobre o lago, luzes coloridas ao cair da noite fria, aquecida por lareiras portáteis. Tudo ao som de um pagode simpático, feito por aquele que é o maior patrimônio imaterial da cidade – a vibração de sua gente. Já na última vez, conheci o Cais Embarcadero, onde presenciei a exibição dos jet-skis, o charme dos veleiros ao pôr do sol e a chegada do Cisne Branco.

Achei excelente que, além da riqueza cultural, Porto Alegre está usufruindo uma vida aquática totalmente viável para a cidade. Porque não precisamos ser apenas natureza ou cultura, podemos vivenciar os dois. E tal qual fiquei feliz pelos porto-alegrenses, lembrei o quanto minha capital tem enriquecido, com a Camerata Florianópolis apresentando-se com Dazaranha e Zeca Baleiro, a orquestra de baterias, o Festival de Cinema Infantil, o antigo Festival do Conto no SESC, shows bacanas no P12 ou um café de inspiração tailandesa na Lagoa.

Podemos ser cultura, praia, esporte, gente: múltiplos e plurais. É para já.

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