Vai passar

Tarde linda de samba! – grita o cara do violão, também maestro, nos jardins do Solar dos Câmara. Mais uma! Mais uma! O pessoal pede e aplaude. Pra encerrar, então, um samba recado! E solta os acordes. Os primeiros versos se misturam ao som das cordas. Outros se seguem.

Cada paralelepípedo
Da velha cidade
Essa noite vai
Se arrepiar

Agora, as Batucas! Solta a voz, mulherada! E a orquestra feminina toma conta: voz, harmonia, percussão e ritmo. Uma verdadeira e poderosa Big Band!

Num tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações

Coral e instrumento, inspiração e sensibilidade. As Batucas é um coletivo de sentimentos e mensagens, de mulheres que pedem passagem e impõem respeito. Vai, bateria, vem viola, vai zabumba, vem pandeiro!

Dormia
A nossa pátria mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações

E o batuque? Vai, criançada, bate o tambor! Com força! Vem pra escola do samba! Tá bonito, tá lindo! Descompassado, barulhento e lindo!

Meu Deus, vem olhar
Vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade
Até o dia clarear

Todo mundo agora! Braços se erguem e cadeiras se arrastam. Mãe, pai, moço e moça, levanta e dança. Desencanta! Vem cultura, sai ditadura! A algazarra de tambores aumenta. Vai gurizada, filhos e filhas de Batucas! Elas sim! Ele Não!

Ai, que vida boa, olerê
Ai, que vida boa, olará
O estandarte do sanatório geral…

Vai passar!

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