Terry Widener por Soraia Schmidt

Antítese

Soraia Schmidt

Sabe aquele momento em que o mundo cai, quando a frustração, a tristeza e o desânimo tomam conta do ser e a gente desaba inteiro?

É quando não resta nada. Nem um fio de esperança. Nem mesmo um suspiro, que é o respirar da alma. Tudo paralisa, fica inerte, morto, acabado. Quando o mundo que conhecemos não existe mais e não nos reconhecemos na realidade. Quando não há mais portas. Nem janelas. Nem chão. Só resta a desesperança. Paredes sem cor.

Quem não teve um momento assim, me perdoe, mas não viveu. Nos construímos e reconstruímos dos desacertos da vida. Não fosse assim, seríamos robôs, homens biônicos, super-homens. Esses acertam e têm sucesso sempre, e o mundo seria perfeito – todos conhecemos alguns, pretensamente, assim né?! Entretanto, ainda somos humanos (graças à Deus) imperfeitos e incompletos. Sonhamos, desejamos e sofremos.

Ao longo da história desenvolvemos muitas teses e dominamos o mundo subjugando todas os outros seres vivos e inanimados. E o futuro promete mais. Inteligência artificial, um mundo tecnológico, ágil, preciso, eficaz, eficiente e produtivo. Ótimo. Mas a que preço?

Sem o mundo natural e seus biomas, não teremos possibilidade de vida alguma. Se não soubermos nos render e acabar com a supremacia opressiva do homo sapiens, se não aprendermos a conviver com as diferenças e a biodiversidade da natureza e dos humanos, acabaremos com a Terra e com a vida na terra. Rumamos para o caos.

E assim surgiu um novo vírus que desequilibrou as forças dominantes da vida no planeta. Saiu da ficção para a realidade. Abalou certezas e evidenciou nossa fragilidade. Mostrou que quem rege a vida, na verdade, são os microrganismos, desde os primórdios. Foram eles que nos deram origem. Vírus e bactérias, desde sempre, vivem dentro de nós, em simbiose. Não temos uma lição a aprender aqui?

Mas será que esses fatos quebraram a prepotência e a soberba? Será suficiente para uma mudança de paradigma?

Receio que não. A ignorância no poder e a ganância parecem ser outro tipo de pandemia.

A antítese, a chave do segredo? As mãos dadas. Uma gota de prata que nos permite mergulhar na luz e sair da escuridão.

Não podemos ser, sendo sós.

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