Soraia Schmidt em foto de Tom Saldanha

Comutação

Soraia Schmidt

O artista ergue o braço rumo ao céu.

Era o que sempre sonhara.

Ser reconhecido em seu esforço.

Transmitir sua emoção, sua mensagem. Ser lido.

Através dos movimentos, seu corpo falava.

Dançara como nunca.

A alma, liberta em cada um daqueles tantos músculos, suores, cabelos, olhares e palpitações.

Coração e palmas retumbavam em eco dentro do seu peito.

Era a glória. Sua consagração.

 

E nós todos, mortais?

Não é o que buscamos?

Uma intersecção, um ponto de fusão, de encontro pleno?

Nem que seja na duração do instante de um aplauso, de um abraço, orgasmo ou de um olhar.

A pungência de uma troca que nos faça sentir.

Vibrar. Chorar. Sorrir. Se emocionar.

A troca que nos faz vivos e humanos.

Uma troca que nos modifica mutuamente, a quem dá e a quem recebe.

Uma co-mutação.

Retroalimenta o mundo, infinitamente, num ciclo eterno de energia.

Dessa forma, ficamos, mesmo que etereamente, um pouco imortais.

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