Soraia Schmidt em foto de Gilberto Perin

Deus e o corpo

Soraia Schmidt

 Diz a a bíblia que Deus fez o homem à sua imagem.

Imagino eu, que sendo ele perfeito, se retrate pelos belos.

Então, me deparo com este. Corpo moreno,  porte atlético, ombros largos. Omoplatas torneadas, pescoço firme e bem desenhado. Cabelos pretos, caprichosamente aparados na nuca. Músculos esculpiram a beleza. A virilidade é aura.

A água escorre pelo corpo, sedutoramente. Aguça apetites e sedes.

Apesar de, instintivamente, querer molhar-me num abraço, atirar-me naquele rio de músculos e perder-me nos descaminhos da luxuria, vejo uma mensagem.

A água tépida a realça ao derramar-se pelo dorso nu. A pele translúcida revela algo mais  do que a sensualidade do corpo molhado. Está como a estancar uma dor. E leio um grito:

“DEUS

Só ele sabe minha hora”

Apesar de força e beleza tamanhas, a fragilidade do ser humano se escancara numa estampa.

A angústia da morte tatuada nas costas abertas.

A alma expiando pelos furos feitos na pele.

O corpo recortado em novas bordas.

Como numa tentativa de se expandir.

De buscar contato e conexão com o além. Com o infinito. Com Deus.

A busca de um corpo mais etéreo, quem sabe imortal.

Entretanto, para os mortais, ele é um Deus. Da virilidade masculina.

Coisa rara hoje em dia, a que se deve orar.

Que Deus o guarde com saúde.

A alma?

Só ele sabe.

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