Robert Grace por Regina Starosta

O Sagrado Pão

Regina Starosta

Consta na Bíblia: “Com o suor do teu rosto comerás o teu pão”.

Alimento sagrado, importante em várias religiões, sinônimo da vida. Seu significado no vulgo: “quem não trabalha não come”.

Esta é uma historinha singela, quase infantil; uma pequena crônica dedicada àquele trabalhador anônimo, que conseguiu vencer na vida simplesmente pelo fato de trabalhar.

Na residência da família Almeida algo diferente está acontecendo. Vai haver uma dupla comemoração: o aniversário de Carlos e sua promoção a gerente geral, do escritório da empresa onde trabalha.

Dona Amália está preparando um jantar. Simplesinho como diria ela modestamente; somente os filhos e, como únicos convidados o patrão do marido e sua esposa. Até agora só teve oportunidade de comemorar os aniversários das crianças. É chegada a hora de poder usar o que ganhou há mais de 20 anos quando casaram: o jogo de pratos e travessas, copos e taças e o faqueiro. Está tudo organizado, desde as flores até a cozinheira que vai preparar o jantar especial.

Na hora combinada o casal e seus dois filhos, esperam, disfarçando a ansiedade.

Chegam os convidados. Depois dos aperitivos, entram na sala de jantar onde já está posta a mesa: lindas saladas e, bem no centro, um enorme pão italiano redondo, sem a parte de cima e o miolo. Dentro, delicioso ensopado de frutos do mar, combinando com o vinho adequado.

Depois da magnífica sobremesa e mais alguns brindes, pode-se dizer que a noite foi um sucesso.

Ele não sabia como agradecer à esposa. A única coisa que o intrigava era a escolha do prato principal. Perguntada, Amália não respondeu. Somente ela sabia a importância que teve o pão na dieta da família nos primeiros anos de casamento.

Deitou. Adormeceu sorrindo.

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