Robert Grace por Altino Mayrink

O diabo amassou

Altino Mayrink

Sabe o ano de 2020? Esse que você está passando, ou passou, mais tempo em casa do que queria, sem viagens. Tudo mudou, né? Aprendeu a cozinhar como só sua mãe sabia – pensava você –, leu coisas que você nem acreditava que poderia. Ou deveria. Aprendeu a usar dezenas de aplicativos no celular, no tablete, no notebook, no PC. É, esse ano aí.

Além do número de pessoas que bebem – vinho, cerveja, uísque, cachaça ou outras coisas mais – ou fumam, que aumentou, os tiktok-vídeos que fomos obrigados a aguentar e as recomendações de limpeza e higienização, furadas ou não, que ouvimos e aprendemos, só dá pra dizer que sobrou a quantidade de “padeiros” iniciados nesses meses de reclusão ao lar.

Minha vizinha de porta faz pães admiráveis e saborosos. Quatro outros amigos e amigas também enveredaram por esse caminho e já não sei como fazer para parar de comer todas as delícias. Estou, como tantas outras pessoas, precisando emagrecer. Urgentemente.

O ano não foi dos melhores. Nada para comemorar. Os governos, nos três níveis, só têm contribuído para o aumento do contágio e a disseminação de notícias mentirosas e anticiência. A chegada do verão, época em que deveríamos ter um decréscimo de mortes e contágio, está mostrando o contrário. Muito difícil é dar crédito a algumas pessoas que, no século 21, ainda insistem em terraplanismos e movimentos antivacina.

Sempre haverá, eu sei, tristemente, aqueles que ficam se perguntando por quê, diabos, esse cara está falando sobre esses assuntos. Fico aqui com meus vinhos e meus pães maravilhosos, fornecidos pelos amigos e amigas. Tenho esperança que aqueles, descrentes, tenham uma epifania e se iluminem de sabedoria ao fim de tudo.

Ao fim desse ano que, com certeza, o diabo amassou!

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