Rafal Olbinski por Regina Lydia

A Grande Virada

Regina Lydia Rodrigues Jaeger

A cada época da história, cidades se destacam pela sua efervescência e importância cultural, política e econômica, tornando-se objeto de desejo de muita gente em busca de novas oportunidades. Assim foi com Roma e Atenas na antiguidade clássica, Paris na Belle Époque e Nova York na modernidade. Milhares de pessoas migraram para lá, em busca do Sonho Americano, com a benção da Estátua da Liberdade. Por muito tempo foi considerada a cidade mais cosmopolita e a Capital do Mundo, abrigando, inclusive, a sede da Organização das Nações Unidas (ONU). Dentro dela encontramos “pequenos países”, onde os imigrantes se juntavam por nacionalidade, para diminuir o medo de começar uma vida nova, sozinhos num lugar estranho: nascem os bairros ícones como The Little Italy, Chinatown, Harlem, Lower East Side e Brooklyn, somente para citar alguns. Esta sua diversidade trouxe vantagens e desvantagens, assim como veio o desenvolvimento econômico, os anos de recessão trouxeram uma fase conturbada pela violência. No final do século, eram as gangues e mais tarde, a máfia italiana e a corrupção. Os anos sessenta e setenta marcaram o auge da criminalidade na cidade, deixando-a insegura, suja e degradada. Era um risco andar a pé ou de metrô e por conta disto, recebeu a alcunha de “Cidade do Medo” – voluntários distribuíam um “guia de sobrevivência” aos turistas que chegavam no aeroporto. O cinema soube explorar bem esta fase negra produzindo vários filmes de sucesso sobre o tema.

Uma metrópole deste porte, à beira do Rio Hudson, com a charmosa ilha de Manhattan, não podia se deixar afundar. Empenharam longos anos de luta em várias frentes para combater o crime organizado e trazer de volta seu esplendor. Nos anos noventa assume a prefeitura, Rudolph Giuliani, que implanta a política de Tolerância Zero contra os criminosos e a corrupção policial. Os delitos diminuem mais que a metade e Nova Iorque se transforma na mais segura metrópole americana. Ele também saneou a cidade, o metro e remodelou espaços públicos, atraindo novamente os turistas. De “Cidade do Medo” à “Cidade dos Sonhos” – a grande virada. Mas em 11 de Setembro de 2001, quando tudo parecia tranquilo, ainda teve que passar por mais uma provação: o ataque terrorista às Torres Gêmeas. E novamente se reinventou, ficando ainda mais forte.

Quem hoje chega lá, não consegue sequer imaginar o que foi nos anos de sua decadência. Ao contrário, enche os olhos com tamanho glamour de uma das cidades mais cosmopolita, bela e segura, um exemplo a seguir. A cidade que nunca dorme!

If I can make it there / I’ll make it anywhere / It’s up to you / New York, New York*

*Refrão da canção New York, New York, composta por John Kander e Fred Ebb

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