O Y da questão

Y de Rio.
Rio dos Paratis.
Paratis são peixes e, também, um tipo de mandioca.
Hoje, sinônimo de cachaça.
Paraty.
Cidade histórica, atualmente, patrimônio da humanidade. Já foi chamada de Vila de Nossa Senhora
dos Remédios de Paraty, agora nome de capela local. Fazia parte da Capitania de São Vicente de tão
longínqua a sua fundação. Já no século XVI, a área foi doada por uma mulher para assentamento do
povoado em troca de respeito aos indígenas locais.
Não poderiam ser molestados.
É, começou bem.
Mulheres, nos cuidados, sempre mulheres.
Houve época em que lhe fora roubado o glamour porque usada para desembarque de africanos e
tráfico de escravos, ainda que proibido.
Em que pese a tentativa de desqualificá-la, o que começa bem, a tendência é melhorar.
Paraty seguiu a regra. Até aquela que diz que nada é perfeito.
Lá que acontece a festiva FLIP – feira literária internacional de Paraty reunindo escritores do mundo todo.
É muita riqueza cultural e natural. Rodeada pela densa mata Atlântica e protegida pela encantadora Serra da Bocaina é banhada por águas verdes – verde petróleo – transparentes.
Considerada pela UNESCO como cidade criativa da gastronomia e pelo New York Times o mais rico
destino cultural da Costa Verde. Foi morada de Paulo Autran, um virtuose da cultura brasileira.
Uma cidade do século XVI, parte do Brasil colonial, que preserva cultura e natureza de forma
sustentável ainda que possua um IDH mediano.
Caminhar pelas ruas calçadas por pedras irregulares dessa vila é ato de fé. De fé porque é abrigo de
destilarias de água que passarinho não bebe e por isso o tropicar é quase certo.
Por lá, o tempo é alargado porque caminha-se devagar, a presença é inafastável para manter-se em
pé.
O mais lindo é que a brasilidade inteirinha passou por ali desde os nativos Guaianás, depois os Tupis, africanos, portugueses até chegar na gente.
Paraty é raiz que envolve sem que se perceba.

Por sorte está ao nível do mar, é constantemente purificada pela água salgada que invade suas ruas,
garantindo proteção ao mal olhado, sem carregar patuá.

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