Marshall Arisman por Regina Starosta

Antigamente era assim

Regina Starosta

Num dos meus dias ociosos, volto o pensamento ao passado longínquo e me encontro, quase sempre, na minha infância. Desta vez não foi diferente.

O prédio do velho colégio era enorme: da entrada partia uma imensa escadaria em curva, até o segundo andar, onde estava a sala da minha classe. Frente à porta de entrada, a secretaria. Dona Alice, a indefectível secretária, acumulava seu cargo com o de vigia dos bons costumes. Sempre com um sorriso, que destoava do seu olhar neutro, era pau prá toda obra. Resolvia qualquer problema.

Vejo uma menina, nos seus oito ou nove anos, que cometeu o pecado de chegar 10 minutos atrasada. Ela está nervosa, sabe o que acarreta chegar tarde; por isso corre e assim começa a subir a escada. Quando está quase na metade ouve seu nome. De dentro da janelinha da secretaria, dona Alice a chama. A menina se aproxima tremendo e ouve a ordem de subir devagar, com modos. Aquela escada enorme parecia não ter fim. O que diria sua professora? Não conseguia pensar em uma desculpa. Que vontade de chorar!

Todos nascemos iguais: nus e berrando. A sociedade nos acolhe e espalha, determinando a cada um o seu lugar. Sair de onde nos colocaram demanda esforço. As dificuldades vão se apresentando e com elas, adquirimos camadas, como se fossem armaduras, que vão nos protegendo. A isto damos o nome sabedoria ou experiência. Saí adulta, fortalecida, para começar a viver e enfrentar um futuro desconhecido. Bons tempos, boas amizades que mantenho ate hoje.

Saudades.

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