Joyce Kitchell por Dora Almeida

MOSAICO SANTA SEDE 2020

Mate amargo y tortas fritas

Dora Almeida

Lo que me enamora de Colonia del Sacramento es el mate amargo y las tortas fritas.”

Visitando Colônia do Sacramento verão passado, comprei um imã de geladeira que fala de mate amargo e tortas fritas. Um pouco pelo prazer da compra de lembrancinhas de viagem, coisa que adoro, outro por lembrar de minha avó, que gostava de tortas fritas. As tortillas substituíam o pão na hora do café, acompanhavam o mate da
tarde, que nem sempre era amargo. Podia também ser doce, com canela ou folhinhas de chá. Nas noites de tempestade, acompanhadas de rezas – Santa Bárbara bendita, mate amargo e torta frita.

Naquele dia, a avó receberia visitas para o café. Da cozinha vinha o cheiro delicioso do bolo de laranja e das broinhas de polvilho feitas pela Amélia, sua afilhada. Do pão de casa e da geléia de goiaba. Tudo deveria sair perfeito, pois as visitas, dona Zefinha e seu Nô, eram de cerimônia. Vizinhos novos, morando há pouco na cidade, ela sempre bem arrumada, de sapatos de salto e bolsa combinando.

Cedo da tarde, mesa posta. Toalha de crochê , guardanapos de linho. Os talheres reluzentes e os copos de cristal .E as xícaras azuis que só saiam do guarda-louças em ocasiões muito especiais.

– Vamos servir chá da Índia e chá de maçã. Se eles quiserem a gente passa um café na hora.

– E o mate? E as tortillas? A gente faz na hora também, madrinha?

– Claro que não! Gente de cerimônia, nem devem gostar de tortas fritas! Se vocês quiserem, podem fazer na cozinha, mas não levem para a sala.

Visitas acomodadas, conversa fluindo devagar. Dona Zefinha e as filhas tomando seu chazinho, elogiando o bolo, as geleias, trocando receitas com a avó. Seu Nô , mordiscando uma broinha, mal tocava na xícara .

Da cozinha começou a vir um cheirinho de café recém passado. Seu Nô olhou para a mulher e, virando-se para a dona da casa: – Ainda que mal pergunte, a senhora tem um cafezinho? É que não tô doente pra tomar chá.

Todos riram, veio o café e a conversa correu mais solta.

Como se não bastasse, o cheiro delicioso das tortillas também se fazia sentir. E seu Nô quis saber o que estavam fazendo na cozinha.

– São tortillas, tortas fritas, que acompanham o mate. O senhor quer provar? – e aí veio junto o amargo, depois o licor de butiá e uma amizade para toda a vida.

Olho o ímã na geladeira e penso, vou fazer um mate. Ainda tenho um pouco da erva Abuelita que trouxe de Colônia e que, ainda por cima, tem um pouquinho de cannabis. Olho pela janela. Nuvens escuras, carregadas. Está se armando um temporal.

Santa Bárbara bendita, mate amargo e torta frita”.

 

Facebook Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima