Jim Harris por Ananyr Fajardo

Fim de papo

Ananyr Porto Fajardo

Tanta coisa diferente – cheguei onde nem pensava, fiz o que não sabia, sonhei com quem não conheço. Trabalhei muito e com muita gente, sempre sentindo falta de alguém desconhecido. Dialoguei, articulei, argumentei e perdi embates. Supri carências dos outros sem que perguntassem pelas minhas. Pensei em sumir, mas o medo de ser esquecida venceu; melhor aqui do que nunca mais. Ignorei minha intuição e me arrependi, podia ter ido mais longe.

Avistei atalhos, mas optei pelos desvios, talvez pela ânsia em me perder pelo caminho. Não lembro o que desejava, sigo em frente escolhendo o que me apetece na hora. Imagino que a beleza se esconde na próxima curva e continuo andando, perdida em minha memória do que não fui, nem tive. Sou regida por um choro incontido, mas mudo, pleno de desafeto.

Encontrei um príncipe que se desencantou na minha frente; era um sapo manso, sábio e de olhar doce. Feioso, aventureiro e bem-falante, contava feitos como se fossem corriqueiros, apenas jornadas banais. No dia a dia, preparava comidinhas variadas, organizava a vida com simplicidade e me levava a passear nas ideias. Vivemos momentos de enlevo entre algum tumulto; afinal, a diferença é a essência do amor, mas não é fácil (se) amar em um mundo que busca um ideal inexistente. Tudo muito simples, mera retórica. Na prática, o reencontro consigo no outro é muito melhor.

2021. Pra começo de conversa…

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