Jefferson Escobar em foto de Andrea Steiner

Aconchego

Jefferson José Rodrigues Escobar

Quem quis fazer a varanda tinha sido minha mãe. Lembro-me dela com uma grande barriga, na porta da frente. Dizia que era para proteger do tempo. Do sol, do vento, da chuva. No começo, o chão era batido, não tinha mureta e era coberta de palha. Conforme corria a vida, iam sendo feitas melhorias na casa. E na varanda. Minha mãe seguia na porta da frente sempre com uma grande barriga que, às vezes, transformava-se em irmãos, mais quatro. Outras vezes, em lágrimas pelos cantos.

O tempo passou, muitos chimarrões tomados na varanda. Muitas noites insones, apreensivas. Lavouras, doenças, casamentos, formaturas. O pai se foi. Se foram os irmãos. Estes para estudar. Vinham a pé, no começo, lá da estrada. Depois de bicicleta, de moto, de camionete. Se via da varanda. Sozinhos, com namoradas, com família, alguns sozinhos de novo.

Eu fiquei. Também vi da varanda a moça que passava a brincar com as ovelhas. Fui até a estrada. Convidei para varanda. Sorriso de aprovação do pai e da mãe. Uma nova mulher com grande barriga abrigada do tempo na varanda.

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