Hoje é dia de índio!

Os filmes de faroeste americano exibidos nas sessões das tardes de domingo na televisão nas décadas de 1960 e 1970, eram programas imperdíveis e quase que obrigatórios para a criançada daquela época, da qual eu fazia parte.

Às vezes em determinados lugares, dependendo do canal que iria passar o espetáculo aguardado durante toda a semana, não se conseguia pegar uma boa transmissão. A família se reunia em frente à TV, sentados no sofá, poltrona ou até no chão, comendo pipoca e bebendo guaraná em seus respectivos lares ou nas casas de seus amigos.

Quase sempre tinham a mesma temática: bangue-bangue, mocinhos contra bandidos, brutamontes apaixonados por moças ingênuas e românticas e vice e versa e, principalmente, lutas travadas entre brancos colonizadores e índios selvagens. Ah! Esses eram os preferidos da gurizada.

A torcida era grande: cavalos troteavam de um lado para outro, gritos de ataques indígenas ecoavam no meio daquela terra tão cobiçada e rica pelos “sofridos” e “bonzinhos” colonos que para lá se dirigiam, muitas vezes, escoltados por soldados fortes e valentes para enfrentarem os malvados, de qualquer natureza, que pudessem impedir o objetivo desses pioneiros.

Para marcar território e ter segurança para o exército americano, existia uma enorme construção de madeira muito bem guarnecida com armas e cavalaria, cujo nome era Forte Apache.

Toda criança que vibrava com a guerra contra essas nações, sonhava em ter como brinquedo as miniaturas desses fortes e seus respectivos personagens e ranchos. Quem as possuía era o dono do pedaço e reverenciado por toda a turma.

Nunca entendi o porquê do nome de uma nação indígena, considerada pelos colonizadores daquele tempo como inimiga mortal da civilização, ser dada a um forte americano. Dizem que foi assim chamado pelo fato de que o primeiro dele a ser construído, originalmente, ficava próximo a cadeia de montanhas Apalaches que permeia a América do Norte. Sendo assim, o Forte Apalache fazia referência a essa localização geográfica.

Quando foi transformado em brinquedo de índio e mocinho, os tradutores e inventores de nomes retiraram o “la” para uma maior familiaridade e facilidade com a criançada. Mas…

O que dizer de um prédio oficial aqui em Porto Alegre ser chamado de Forte Apache? Não temos montanhas ao nosso redor, nem nação apache, sioux ou comanche. Talvez pelo formato da arquitetura de suas torres, dizem os mais entendidos.

Para mim, esse nome foi escolhido porque, certamente, a primeira pessoa que o visualizou queria voltar ao tempo de infância, reviver as emoções daquelas tardes de domingo, que não voltam mais, com seus familiares e amigos, onde o seu sonho era ter um forte apache de brinquedo e nunca conseguiu!

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