Guy Billout por Bernadete Saidelles

A vida me espera do outro lado do medo

Bernadete Saidelles

No alto do trampolim, com uma grande piscina abaixo, o homem de calção verde enfrenta uma dúvida. Pode prosseguir e se jogar na piscina, ou escolher o caminho da direita, ou ainda, o da esquerda, que darão nas mesmas águas, caso ele tenha a coragem de se atirar. O banhista também tem a opção de retornar e descer a escada e seguir pela sombra que ela produz no chão e amargar aquela derrota que é só sua, num enfrentamento diário da falta de coragem de ir.

A vida é assim, quando a gente decide o objetivo, vários caminhos levam ao mesmo lugar, como no trampolim e as possibilidades oferecidas.

A piscina está sem pessoas dentro, aparentemente ninguém assistindo, mas as grandes batalhas acontecem dentro de nós, num duelo de vontades, onde apenas uma sairá vencedora.

O tempo todo estamos fazendo escolhas: ir de elevador ou escada, comida saudável ou Fast-food, exercícios ou vida sedentária. Somos o fruto de nossas escolhas, senhor ou escravo, tudo depende da hora, do contexto, do lugar.

Precisamos aprender a nos lambuzar com os dias que chegam, como crianças com guloseimas, babando alegria, sentindo o amargo dentro do doce e fazendo cara feia e se deliciando mesmo assim. Os dias são agridoces, não há vida só de alegrias, mesmo que às vezes certas páginas de redes sociais façam intuir que sim.

Vive-se constantemente enfrentando medos, mas é preciso ter consciência que o medo é um nevoeiro ao final da ponte, que encobre o que há na outra ponta. A vida espera do outro lado do medo. Só saberá o que está encoberto pelo nevoeiro, quem se arriscar. Pode ser um lamaçal com inúmeros crocodilos, ou uma linda praia de águas cristalinas – fantástica natureza que os olhos aplaudirão com lágrimas.

Quando uma voz interior avisa que se está no caminho certo, a gente apenas se atira e depois vê se sobreviveu.

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