Gregory Harlin por Soraia Schmidt

Fenda Negra

Soraia Schmidt

Nos doces olhos me atirei

Escuro adentro, num abismo

Onde mergulhar é pouco.

Imensidão de silêncio absoluto

Silêncio que faz do escuro uma coisa densa.

Em queda, fui devagar

Livre, suave, macio.

Uma viscosidade fria me toca

Pulsa.

Massa disforme, vibrante

Em movimento contínuo toma formas múltiplas

Me absorve e me dissolvo

Magma pulsante

Essência vital.

 

Ah, foi o olhar!

Mortal.

Porque suga.

Penetra, indaga, revela.

Pela fenda escura, nosso obscuro.

 

Humanos ou não

Somos todos felinos.

No gato, vemos a nós.

 

PS: Será por isto que tanta gente tem pavor de gato?

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