Douglas Smith por Marcel Souza

Era cilada!

Marcel Souza

Das piores sensações que podemos ter é a de cair em um golpe. Imagina você tranquilo, sem maiores preocupações. Daí surge uma situação que aparenta ser uma excelente oportunidade. O olho cresce. “Vou me dar bem, que sorte!” Passa um tempo, às vezes poucos minutos e? Era cilada. A vontade é de se esconder, sumir. Adeus mundo. Você pensa em como reverter, achar uma saída, pedir ajuda. Mas, para pedir ajuda, precisa admitir que caiu em um golpe, que foi ingênuo demais. 

Trabalhei por onze anos em banco, e obviamente por envolver dinheiro, ficamos sabendo de muitos golpes. Os mais incríveis de acreditar são os envolvendo familiares. Chega o senhor ou a senhora reclamando do sumiço de dinheiro de sua conta.  Vamos analisar o extrato: pagamentos, saques. Nas imagens o cliente identifica filho, neto. Eles sabiam a senha, mas sacam sem avisar, sem autorização do titular da conta. Imaginem a cara do cliente!

Mas tem outro golpe ainda mais comum: o bilhete premiado. O golpista aborda a vítima, conta que foi sorteado em uma loteria. Para sacar o prêmio, ele precisa fazer um depósito. Como não tem o dinheiro, pede emprestado, oferecendo em troca, dividir parte do prêmio. Olha a ganância aí! Quando o golpe sai perfeito, o golpista some com o dinheiro do pobre coitado que foi enganado. E o prêmio? Que prêmio cara pálida? Era cilada! Pelo menos os bancários já estão experientes no modus operandi e muitas vezes conseguem impedir o pior.

Quem viaja também tem que ficar de olho nos golpes. E admito que já fui vítima de um. Estava passeando em Berlim, nas proximidades do Muro. Caminhei por ali por um bom tempo, fotografando as belas nele obras pintadas. Passei mais de uma vez por grupos de pessoas em volta de um jogo. Decidi parar e observar. Era aquela brincadeira de esconder em casas de papelão uma bola de papel. O dono da banca as mistura, e você tem que adivinhar onde ela está. Obviamente eles abrem para apostas. Parece fácil. “É só ficar atento, que eu ganho.” Mas se você aposta, tudo muda. Os que antes jogavam, passaram a me atrapalhar, fingindo me ajudar. Eles eram da turma! Fica impossível acertar. Perdi uma vez, perdi duas, eles fogem. Era Cilada. E agora? Para onde vou? Como saio dessa? Onde me escondo?

 

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