Dio Santanna em foto de Flávio Wild

Todos os caminhos até o mar    

Dio Santanna                         

                                                                             Para Luísa

                                                                                                     

quero contar-te um segredo. que guardei de mim mesmo. pra um dia assim, fugidio, distante de tudo o que não pulsa,  deixar vir à tona. neste lugar, além nós. que não me sabe e que agora fará parte de ti. e de mim.

extravasa. abre o peito. hoje é mais um dia. queira sempre  mais. da vida e de ti. celebra o que foi.  vai de novo. sem receio. arrisque-se. o tom, se encontra entre alguns descompassos.

deixa o sol tomar conta, esquece à peneira. encare. olhe pra trás com a dor e a alegria da partida. e siga.

esse vento forte que bagunça os cabelos. levanta o vestido. te despe assim, de sopetão. é vida que pulsa. de novo. esquece o relógio. a tal conexão. deixa cair. abuse de todos os sentidos.

o tempo, não conta. conta-se. em contos reais. histórias e vida vivida.

sente esse vento no rosto. o arrepio pelo corpo. a vida tem gosto de agora. é como àgua do mar que bebemos sem querer, no susto.

esse susto bom que de uma hora pra outra surpeende, nós leva além. e nos deixa à deriva de nós.

e hoje em fim, quero contar-te um segredo. a ti e a mim.

mergulha. te inunda de ti. a boca sedenta,  te levará. de novo. e sempre, além.

a todos os caminhos até o mar.

 

 

 

 

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