Dio Santanna em foto de Carlos Eduardo Vaz

Felicidade púrpura

ou

Uma avalanche do fim

Dio Santanna

 

Cintila.

Ainda em mim, incandescente. Pincela entre os matizes das felicidades banais e as garimpadas, por amor, à exaustão.  Incontidas. Uma felicidade púrpura. Louca e imperiosa condição dos que não delegam as paixões. Paixão, revida-se com paixão.

Contorce a dor que não se sabe ser.

Verte. O fim em lava. Escorre pela pele. Fere, queima. Arde e não finda. Reluz em labaredas o que a memória, endossada pela distância, escolheu guardar. Como se o desejo se bastasse no desejo.

Contorce a dor que não se sabe ser.

Presságios. Apesar deles, o mar revolto não intimida. Desatino é não se lançar. O  depois, fica para depois, brindam os amantes. Vira-se a noite. Vira-se o barco. Vira-se poesia.  Faz-se do agora, o tempo. O instante nega os futuros.

Contorce a dor que não se sabe ser.

Flutua. Lua que não mais inspira, esconde -se sob o lençol negro da noite, a parir os dias que pelas frestas espiam a minha alma vazia.  Nascem saudades urgentes. Dessas, que à revelia, se atravessam nas retinas, feito gente presente.

Contorce a dor que não se sabe ser.

Fresta. Feixe de luz. Flor que se basta. Resta vida.

Um rastro de felicidade espreita, invade minha memória. Inquieta minha mente. Despudorada-mente. Provoca meus sentidos. E sonha ser caminho apesar do fim. Apesar de ser quimera.

Contorce a dor que não se sabe ser.

Cintila.

 

 

 

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