Silvia Duncan em foto de Gilberto Perin

Betty e eu

Silvia Duncan

Caso, Betty Friedan tivesse visto este deus feito homem, com a bunda perfeita dentro do calção boxeador – juro! – rasparia as axilas e outros lugares cabeludos até com gilete cega.

Daria um pontapé no feminismo, subiria no mastro e amarraria nele suas calçolas. Penso nela dizendo empoderada: me beija na boca e me ama no chão.

Todas as manhãs, ele passa correndo em frente ao meu portão Sei quando aponta na esquina pelos latidos assanhados da FIFI, minha cadela poodle.

Até tu FIFI!

Corro para o jardim e finjo que molho as marias-sem-vergonha, mesmo se estiver chovendo. De olho comprido aprecio o suor escorrendo pelas costas bronzeadas até o rêgo, tal açúcar queimado sendo despejado na forma de pudim.

Me imagino uma trepadeira, enroscando nas pernas troncudas subindo, subindo, até encher minha boca de mel.

A voz de mingau de aveia do meu marido, usando a velha cueca samba canção xadrez, tufo branco no peito, me arranca dos devaneios. A própria visão do inferno

.Ligeira, largo a mangueira sufocada entre os meus dedos, como se fosse cobra venenosa. Agora molinha, molinha.

 

Aos pés da Santa Cruz, broxei.

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