Andrzej Dudzinski por Maristela Rabaiolli

Que sentido a vida tem?

Maristela Rabaiolli

The meaning of life is to give life meaning. (Viktor E. Frankl)

Moro perto de hospital. O ruído da sirene das ambulâncias soa em meus ouvidos como música triste. Sempre que o escuto, agradeço pela saúde que tenho e me compadeço com quem está em apuros. Pego-me a pensar se o estado de saúde é grave; se é criança, jovem, adulto. Essas coisas. Às vezes faço uma oração. Ajuda.

Desde que o mundo é mundo, há pessoas que lutam para viver, e há as que desafiam a morte constantemente. Admiro ambas. Não sei se conseguiria viver de um modo ou de outro. As primeiras se agarram a um fio de esperança, na tentativa de vencer uma doença grave, e conseguem prolongar a vida em anos. Já as outras, normalmente viciadas em adrenalina, querem o prazer imediato. Não se importam em viver muito ou pouco. Precisam viver o aqui e o agora. Preferem, como o poeta, viver dez anos a mil, do que mil a dez. Carpe Diem!

Lucas, jovem atleta praticante de wingsuit (voo de macacão com asas), um dos esportes mais perigosos do mundo, está no segundo grupo. Atingido na cabeça por uma pedra que despencou do cânion quando escalava a montanha de onde saltaria, não teve tempo de se esquivar e morreu. Sua mãe, ao ser entrevistada, disse: “A vida, não importa se é longa ou breve, tem que ter significado. Meu filho morreu fazendo o que amava”. Isso me fez refletir um bocado!

Será que estamos dando sentido à nossa vida? Ou estamos apenas vivendo feito robôs presos a fios imaginários que nos prendem à Terra e nos impedem de viver a vida intensamente? A medicina avança. No entanto, cientistas ainda não encontraram cura para muitas doenças. Nesse maniqueísmo existencial, há quem queira morrer e quem queira viver. O que dizer sobre a velhice, a eutanásia. E sobre viver sem autonomia, dependente da caridade dos outros?

O espantoso, nisso tudo, é que este texto está sendo escrito ao som das sirenes e em dia de Halloween, festa pagã-cristã que, além de celebrar abundância da colheita, homenageia o Rei dos mortos. É também o Dia das Bruxas. Em meio a tantos mistérios, pensar que somos poeira de estrelas nos torna mais empáticos? Oxalá possamos viver muito e bem! Agarremo-nos à ideia de que tanto os esperançosos quanto os audaciosos estejam dando sentido à sua vida. Sem isso, ela perderia a graça. E a frase Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay não faria mais sentido algum.

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