Andrzej Dudzinski por Jaqueline Behrend Silva

Humano

Jaqueline Behrend Silva

No leito homem despe sua identidade. À merce dos cuidados de outrem não tem força para gerir sua vida.

Momentos de desespero, fraqueza em que a fragilidade se expõe.

Despir-se não significa nos tornarmos mais ou menos humanos.

Não podemos transformar pessoas em máquinas inanimadas de entrada e saída de canos.

Perfurações , mudanças de hábitos , formas diversas de alimentação .

Humanos é o que somos, necessitamos um sorriso, atenção individual, um livro, uma fotografia.

Um abraço, uma frase de alegria e positividade.

Mãos que cumprimentam, hoje, cotovelos que se tocam.

Carinho no olhar conduz a melhora das defesas, aumenta a resposta ao tratamento das doenças.

Se não conseguirmos a cura, que possamos oferecer momentos de desvelo.

Será que é necessário despir àquele que ali se encontra? Reavaliar.

Solidariedade, atenção, misericórdia.

Individualizar cada um que está no leito.

Sabemos da necessidade de protocolos, de rotinas e diretrizes, mas não podemos fazer que isto despersonalize aquele que está no hospitalizado. Ao contrário, devemos nos utilizar destes recursos para oferecermos melhores condutas e assim mais tempo dispensar com atenção e zelo.

Paciente é ser humano, não é máquina. Não é número, nem código de barra.

Coração que pulsa, rim que filtra.

Lata que se dissipa e ser humano que reaparece, volta a sorrir.

O anoitecer se desvanece e a luz da manhã volta a brilhar através da janela.

O sorriso substituirá ao abandono.

O homem de lata é um homem de fato.

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