Marshall Arisman por Maristela Rabaiolli

Efeito bomba

Maristela Rabaiolli

Hoje imploro uma fala escrita, não pode ser cantada.

Preciso de uma palavra letra grifada grafia no papel”

Viviane Mosé

A palavra, dita ou escrita, pode ter efeito de bomba atômica. Uma vez lançada, não volta mais ao seu estado original. Se for mal dita, quem a proferiu tem a chance de reparar o erro e pedir desculpas. Se for bem dita, ao contrário, causa efeito reparador. Tanto uma quanto outra marcará o alvo eternamente. Para o bem ou para o mal.

Falar sobre a importância da escrita e da leitura é chover no molhado, tamanho é o poder de transformação que ambas causam no ser humano. Por meio desses inventos nos foi dado conhecer filosofia, artes, matemática, música, epistemologia. Elas nos deram Camões, Freud, Machado, Newton, Cervantes, Nietzsche e tantos outros gênios.

A leitura nos faz perceber que o mundo sempre pode ser de outra forma. A escrita, por sua vez, ainda é muito jovem. Tem apenas 8.600 anos. Transformou-se ao longo do tempo, é verdade, mas continuará a evoluir eternamente, pois é um organismo vivo. Soa engraçado quando alguém diz: “Os jovens de hoje escrevem errado, abreviam tudo. Culpa do celular”. Mal sabem que o homem sempre utilizou diferentes símbolos para se comunicar. Os primeiros foram desenvolvidos há mais de 30.000 anos.

Você sabia que existe um dicionário específico usado por comunidades LGBT+? Sim, o vocabulário é recheado de palavras e gírias divertidas que fazem parte do Pajubá, nome dado à linguagem criada pela comunidade. Ao lado de expressões populares como “lacre”, “close”, “ir de Angélica”, existem conceitos importantes relacionados à compreensão da orientação sexual e da identidade de gênero.

Com a caneta na mão, o homem pode virar um pitbull, prestes a atacar seu inimigo, ou pode virar um dócil cãozinho. Depende da intenção de quem escreve. Scliar costumava dizer que leitura e escrita têm valor terapêutico. Na leitura buscamos consolo. A bíblia é um exemplo disso. O mesmo vale para a escrita, afinal colocar no papel o que nos atemoriza, preocupa e nos faz sofrer, funciona como uma válvula de escape. E nem é preciso que outros nos leiam – disse o escritor – a prática do diário íntimo é antiga e mostra que a comunicação entre a pessoa e a página ajuda muito no processo de autocompreensão.

Guiomar de Grammont, por sua vez, ironiza ao dizer que a leitura deveria ser proibida, pois acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. Os livros – diz ela – nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Eles nos permitem ver que há horizontes para além das montanhas e estrelas por trás das nuvens.

Façamos como os escritores, gênios ou simples mortais. Escrevamos. A escrita nos torna livres, e a leitura mais livres ainda. Transformemos nossas mentes em verdadeiras bombas atômicas do bem. Afinal, o pensador Oliver Holmes já dizia: “A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará a seu tamanho original”. E viva a explosão!

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