Indignos? Eles? Nós?

Você já observou que a miséria humana nos acompanha para onde quer que vamos? Não precisamos, infelizmente, ir para muito longe ou sair para outro país para vermos, as pessoas sofridas, doídas, esquecidas, cujos rostos carregam marcas de uma jornada dolorosa e triste.

Essas pessoas não têm perspectiva de uma vida melhor e elas estão presentes no nosso dia a dia, aqui, onde vivemos e, também por várias partes do mundo. Quando isso ocorre em lugares insalubres, áridos e longe de nossos olhos, até aceitamos e criamos desculpas para nós mesmos e culpamos àqueles que estão próximos desses pobres coitados e nada fazem. E quando isso acontece à luz de nossos olhos? Como agimos ou devemos agir?

A mendicância, fome, doença, desespero e dor, muitas vezes batem na nossa porta e, meu amigo, minha amiga, a situação fica muito estranha: ou fingimos que não vemos, ignoramos ou, somos bonzinhos, e damos esmola para logo virarmos às costas e esquecermos.  

Somos um pouco hipócritas como Jesus criticava os fariseus. Exageramos no dizer, repreender, mas pecamos no agir, no atender, no envolver-se. Não nos misturamos com aqueles que achamos indignos, nem sentamos à mesa com eles, tampouco os acolhemos quando estão sozinhos, sem amparo, necessitando de um prato de comida, de um abraço, de uma palavra de consolo.

Um dia desses vi cenas semelhantes a essa que descrevi: pessoas e famílias sem um mínimo de recurso para se manterem, com seríssimas limitações físicas, doentes e passando fome. Poucos conhecidos ajudaram, muitos silenciaram e “lavaram suas mãos”. Onde está o amor, a caridade e a generosidade que tanto prezam e falam?

Você conhece o Neco? Não? Ele está sempre presente no meio de nós. No teu bairro, na tua vizinhança, nas instituições públicas, privadas e, pasmem, nas filantrópicas. É o famoso neco migo. Poucos cidadãos se envolvem com o próximo. Cada um cuida da sua vida e isso basta. Para eles, é claro.

Para mim, não. Pelo menos, tento. Deus nos põe a prova todos os dias em que nos deparamos com situações dessa natureza. Não basta só orar, não basta só louvar, não basta só falar palavras difíceis e bonitas. É preciso mudar o olhar e o agir. Então, vamos colocar em prática?

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