Penso na mulher de aparência frágil ao lado do banco na ponte. Eu e minhas mulheres.
Sujeitos transitavam, talvez sem direção. Entretanto, o banco estava vazio.
– Esperava alguém?
Navego, admiro. Olho
…
Imergir e interagir ao mergulhar na cena, sentindo cada detalhe.
Posso estar no Brasil ou em qualquer país asiático. Me asilo na íntima conexão entre a imagem e os indivíduos. Há momentos em que o pensamento amarra, mas a palavra liberta.
O papel em branco acolhe todas as letras. Registra o instante como a lente de uma máquina. Lê pensamentos e embrulha passados. Tece o presente, assim como o fio de linha macio na agulha. Ele recebe o silêncio, as vozes da casa e o som dos pneus dos carros na rua.
Lá fora a chuva cai e o som que vem de longe retumba na minha cabeça.
É o passado que veio se apresentar. Ele continua me visitando. Sempre bem recebido.
– Onde é o meu lugar nesta ciranda de palavras, no alternar dos dias e na montanha russa das emoções?
Na dança da caneta em movimento circular, na cadência dos pontos e vírgulas, me acomodo. Escuto o que vem de longe, acolhendo as experiências passadas sabendo envelhecer.
– Em que banco me sento?
Os pensamentos tomam forma, indo e vindo. Mostram o avesso de um tempo espiralar.
A ponte, o movimento da água, a brisa da tarde. O ar que circula entre aqueles corpos fragilizados esconde o medo e a ânsia de chegar.
– Caminham em qual direção?
O banco vazio hospeda o tempo.

