E depois?

O Show de Truman abre espaço para várias reflexões. Liberdade e limites, manipulação e ganância, amizade e empatia, amor e ilusão, sonho e pesadelo; tudo ali é uma fraude, uma vida forjada para agradar vidas vazias. No cartaz, a atenção toda é para a escada, que leva o personagem ao desconhecido.

Desde sempre, escadas simbolizam ascensão. Não sem algum sacrifício. Para chegar ao sucesso é preciso esforço. Como se nenhum caminho plano pudesse levar a um bom resultado. Subir degraus, remover pedras, cair e levantar não são os únicos meios de atingir os objetivos. Esses são apenas os caminhos mais difíceis. Escadas estão associadas a sacrifícios, como fazem os pagadores de promessas, subindo de joelhos a escadaria da Penha ou qualquer outra. A ideia de que só em cima existe felicidade vem da religião, que prega o céu em cima e o inferno embaixo, quando, na verdade, cada um sabe onde fica seu céu e seu inferno. Como o pote de ouro no fim do arco íris, no fim da escada encontra-se o reino eterno. Mas é um caminho longo e, muitas vezes, sem fim.

O último degrau pode conter um abismo. E isso ninguém conta. No nosso imaginário, escadas são sempre para subir e ser próspero, assim como portas se abrem para a entrada em um lugar melhor. Veja uma escada como a possibilidade de descer, voltar a algum lugar onde se foi mais feliz. Pense em uma porta aberta para sair de uma situação insustentável, ou entrar em lugar de conforto. Embaixo, em cima, dentro ou fora pode haver felicidade. Não é preciso estar sempre mirando o lugar mais alto. Dá, simplesmente, para olhar em frente, ou, mesmo, olhar o que tem abaixo ou fora. Quanta gente, depois de chegar no topo, sente falta do rés do chão, da simplicidade da vida antes da subida. Alguns se dispõem a descer, se não ao solo, pelo menos, alguns lances, depois de vislumbrarem o vazio. Não é fácil se equilibrar no degraus superiores.

Para Truman, a felicidade está lá em cima e lá fora, no mundo desconhecido. Se pudéssemos ver como foi a chegada de Truman à vida real, que nós bem conhecemos, talvez ficássemos chocados. Será que ele achou melhor? Será que conseguiu realizar seus sonhos? Depois que saiu, deram a ele a possibilidade de voltar? Terá ele conseguido chegar vivo aos braços de sua amada? Como será que o personagem sobreviveu fora da bolha? Que venha O Show de Truman, parte 2.

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