Vou-me embora pra Tupinambá*

Vou-me embora pra Tupinambá, seguindo o curso do rio. Lá vive a cabocla Jurema, ô mata virgem, me chama já.  
Vou-me embora pra Tupinambá, aqui eu não sou feliz Lá a vida é natural, livre, pura e espiritual.  
Oxalá me chamou, mandou me buscar. Vou lutar com os capangueiros, lá nas matas da Jurema.  
Cansei da cidade sem vento, dos índios sem terra, sem mata. Subirei no Pau-Brasil, tomarei banhos de mar! Junto a Yemanjá.  
E quando estiver cansado, deito na beira do rio, chamo Oxum na cachoeira.  
Em Tupinambá tem tudo Tupi, Guarani, Aimoré, Potiguara e Caeté. Tem onça-pintada e boto-rosa, arara-azul e peixe-boi. Tem andiroba, copaíba, buriti e açaí.  
Tem Oxossi caçador, mensageiro de Oxalá, guerreiro de uma flecha só.  
Lá nunca estarei triste Falarei com as estrelas Farei chover com o Xamã.  
Sou filho de guerreiro, de Oxossi e de Ogum. Lutarei com lança e espada, demandando todo mal. Bradarei com Rei Xangô Em noite de luar. Okê Kaô!  
E quando me der vontade de dançar, dançarei com arco e flecha, em volta da fogueira. Tocarei o meu tambor, com chuva, raio e trovão.  
Lá tem Pena Branca, Rompe Mato, Pedra Negra, Ubirajara, Sete Flechas e Cobra Coral. Okê Arô!  
Pelas matas da Jurema, Vou-me embora pra Tupinambá.  
* livremente inspirada em Vou Embora pra Pasárgada (Manuel Bandeira)

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