A noite ainda pulsava lá fora
mas no quarto era outro tempo.
O incenso queimava devagar,
espalhando perfume de calma e mistério.
Ele dizia ouvir passarinhos —
e ela, com o olhar preguiçoso, sorria.
Enrolados entre lençóis,
falavam sobre tudo e sobre nada.
Pela madrugada,
eles estavam ali,
de mãos dadas,
descobrindo gostos
e desgostos em comum.
Amor pelo mar,
terra e ar.
Cheiro do café,
água com gás.
Quando amanheceu,
a chuva passou,
e o sol despontou.
Ainda enlaçados,
restou silêncio.
Paixão, sem urgência,
transbordou calmaria.

