Na adolescência, entre tantas crises existenciais, procurou a fé verdadeira. Entre tantos credos, se tornou um protestante evangélico. 

Como sua fé era a verdadeira, as demais eram falsas. E assim saiu pelo mundo denunciando aqueles que punham fé no erro, ou aqueles que simplesmente não tinham fé. Saiu pelo mundo denunciando a idolatria daqueles que achavam que o Altíssimo, ou qualquer outro ser transcendente, pudesse ser contido em uma escultura ou em uma pintura.

Então veio o seu segundo filho. E no decorrer da gestação um exame detectou que a criança era anencéfala. 

E sua fé entrou em crise. 

Já não denunciava o erro alheio. 

Tornou-se menos fundamentalista, refugiou-se no esoterismo. Perguntou ao Altíssimo o porquê, e teve como resposta o silêncio. 

Prosseguiu. Porque não havia a opção de parar. 

Seguiu no esotérico. Seguiu celebrando louvores ao Altíssimo, porque, afinal, ali lograva sentido e até alguma alegria. 

Aprendeu a não mais censurar. A não mais ter que estar certo. Aprendeu até mesmo a desfrutar a fé alheia, aquela que antes era erro. Desfrutar de senso estético onde antes via idolatria. 

Quando se sentia inseguro, quando se sentia só, quando achava que precisava de amparo, rezava. 

Ou, como dizia de seus dias de protestante fundamentalista, orava.

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