Superpoderes

Era verão, eu ainda criança, e estávamos na casa da minha avó, naquele instante sagrado das férias escolares. Ali, meus superpoderes ganhavam vida própria, não precisava nem da capa de herói ou do cinto de utilidades — a magia acontecia, pura, sem reservas.

Uma vez, subi naquele muro que, aos meus olhos, parecia uma muralha invencível. Lá do alto, saltei e…voei. Perto, é verdade, mas voei de verdade.

Decidi não contar ao meu irmão nem aos primos sobre meus superpoderes potencializados, mas minha avó sabia, aquela parceira silenciosa das minhas aventuras.

Jamais esquecerei o dia em que usei outros superpoderes que eu desconhecia. Ela me mandou até a padaria comprar pão para o café da tarde. Na rua, vieram em minha direção três cachorros enormes, cada um mais feio e bravo que o outro, latindo ferozmente, prontos para me atacar com seus dentes afiados. Sem hesitar, congelei. Fiquei imóvel, quieto, sem respirar, como uma estátua. Eles passaram por mim como se eu fosse invisível, como se eu não existisse.

Talvez, naquele instante, eu tenha usado o superpoder do congelamento e o da invisibilidade, ou ambos…sei lá.

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