Estava eu sentado numa mesa do Mosaico, quando, de repente, as luzes do bar começaram a piscar. Um sinal, só podia ser. Curioso, olhei pela vidraça daquele portão que sempre fica fechado e vi uma pequena nave pousar atrás da entrada. De dentro saiu um ser baixinho, cabeça enorme e olhos brilhantes, mais curioso que ameaçador.
A porta de vidro se abriu sozinha e ele veio na minha direção. Sem cerimônia, tomou um gole da minha água direto da garrafa e, com um sotaque engraçado, perguntou: “Você poderia me indicar onde encontro esse grande rio que todos falam nesta região e liga com o oceano?”
Na hora, lembrei das conversas que tivemos na Santa Sede sobre o rio Guaíba, ou melhor, do estuário… quer dizer, do lago. Sei lá, vai que ele preferisse rio ao invés de lago, contrariando a melhor tese desenvolvida na nossa mesa de bar.
Bah, que alienígena estranho! Ele parecia mais interessado em beber a água do lago do que em qualquer plano de invasão. Nem me assustei. Dei umas dicas de como usar o GPS da nave para chegar à Praia de Itapuã, nossa maravilhosa reserva natural — só para me gabar da beleza do lugar.
A mim, pareceu que ele ficou encantado com a proximidade e a grandeza do lago. Talvez eles não tenham por lá aulas de geografia para saber diferenciar rio de lago.
Antes de partir, ele disse: “No meu planeta não temos água, só pó de dolomita. Vocês humanos são mesmo sortudos!”
E, entre risos, ele voltou para sua nave e desapareceu no céu, deixando um mistério e uma ótima história para contar.

