No silêncio matinal do campo, eles se encontram sob o grande sentimento da vida. Dois pequenos mundos orbitando um ao outro, quase como planetas que ainda aprendem a se reconhecer. O mais velho, com olhos que carregam a doçura de quem descobriu seu próprio universo, oferece uma sombra de proteção, um refúgio de carinho. Ao seu lado, o mais novo, com risadas que parecem borboletas brincando no vento, busca seu lugar no infinito com as mãos contraídas e olhares cúmplices.
Eles têm a pele atormentada pelo sol, a ingenuidade marcada nas suas risadas e um elo invisível que nem o tempo consegue desatar. Cada chute, cada troca de segredo, é uma semente que germina na terra fértil da infância, onde as diferenças se transformam em pontes, e o silêncio entre eles é preenchido por gestos silenciosos, capazes de atravessar a distância de um abraço ou de uma simples troca de olhares.
Na porção mais tênue do dia, quando o sol se aninha lentamente no horizonte, eles se tornam pequenos senhores de um mundo secreto — um reino de brincadeiras, histórias inventadas, sonhos que crescem como flores silvestres na margem do coração. E, naquele instante fugaz, percebem que o verdadeiro lar é feito de risadas, de lágrimas partilhadas, de uma cumplicidade que o tempo não consegue apagar.
No fundo, eles sabem que são duas sementes entrelaçadas pelo destino, destinadas a florescerem juntas — até que o passado adorne de memórias o futuro que ainda está por vir.

