Uma casinha nas montanhas

Ele me convidou para passar uma semana nos Alpes Suíços. Eu aceitei prontamente. A viagem foi longa, dessas que fazem a gente perder a noção das horas entre conexões, aeroportos iguais e cafés mornos. Mas, curiosamente, cada escala parecia uma pequena promessa: algo lá na frente valeria a pena.

E valeu.

Chegando lá, nos acomodamos numa casa isolada, perdida entre montanhas que pareciam pintadas com paciência. Era de madeira, cheirava a mato, e toda ela tinha um calor gentil — lareira crepitando, aquecimento em todas as peças. Ao redor, algumas árvores sem folhas, todas carregadas de neve, como se segurassem com cuidado o inverno inteiro em seus galhos. As montanhas eram enormes, nos fazendo sentir formiguinhas naquela paisagem.

Era o lugar ideal para uma semana com alguém especial. E era exatamente o caso.

Durante o dia, o sol se instalava sem pressa sobre nós. O céu tinha um azul tão limpo, tão resplandecente, que fazia o branco da neve doer os olhos — uma dor boa, que nos lembrava que o mundo ainda sabe ser bonito. Caminhávamos sem rumo, envolvidos por aquele silêncio que só existe onde a neve toca tudo. Silêncio que acolhe, que aprofunda, que aproxima.

À noite, a casa parecia nos abraçar. A madeira estalava, a lareira dançava, o chocolate quente aquecia.  O frio ficava lá fora. Dentro, havia calor: do fogo, do vinho, da presença.

Os dias foram passando, nossa intimidade crescia para além dos abraços e beijos. Nossas longas conversas deixavam claro que nosso encontro foi um acerto do universo. Eu havia parado de olhar para as montanhas e começado a olhar para ele. Porque a paisagem era linda, sim, mas havia beleza maior ainda no fato de compartilhá-la com uma pessoa tão especial.

Numa noite que parecia ter aumentado a neve e o frio lá fora, ele levou chocolate quente na cama para mim. Sentou-se ao meu lado, acariciou meus cabelos e, lentamente, saiu do meu sonho.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima