O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano.
Isaac Newton
O talentoso australiano Peter Weir, diretor do espetacular Sociedade dos Poetas Mortos de 1989 repetiu a façanha e dirigiu com maestria o enigmático O Show de Truman em 1998, obra ficcional que abordou os reality shows.
O principal diferencial desta feita, foi a singularidade – até então impensada – em criar um protagonista real, desde seu nascimento, inserido na novela e cercado por milhares de atores profissionais, a serviço do entretenimento. Neste caso específico, a ação de controlar o personagem central ocorre de maneira sorrateira, injusta e, por vezes, cruel.
Curiosamente Truman Burbank, o astro da novela, tem no nome a referência ao presidente norte-americano Harry Truman ( 1945/1953 ) que estipulou à época, que os Estados Unidos colaboraria com amparo político, econômico e militar todas as nações que estivessem sob ameaça de governos autoritários, inclusive o “comunismo” florescente.
Como mero fantoche, Truman vive literalmente dentro de uma bolha e, neste caso, com altíssima tecnologia, que retrata uma cidade inteira. Os cordões que o manipulam são invisíveis para ele, e somente para ele. Até que em uma linda manhã, um destes fios rompe-se quando subitamente um enorme refletor cai no meio da rua provocando-lhe, além do susto, muita curiosidade diante da excentricidade do ocorrido.
A partir disto, uma série de circunstâncias lhe chamam atenção pois a cada uma delas, outros barbantes parecem desfiar-se, despertando assim, um provocante desejo de saber o que realmente estava acontecendo em seu redor. Seriam todas coincidências?
A desonesta e inescrupulosa manipulação perde vigor à medida que a consciência de Truman começa a duvidar de tudo e todos, agregando mais dinamismo à película, como um jogo de gato e rato. A cada dúvida do marionete, é necessária uma célere readaptação do roteiro. Até não darem mais conta.
Ao final, Christof, o criador e diretor da narrativa, mantém um breve diálogo com Truman:
Marionete : Nada era real ?
Marionetista : Não existem mais verdades lá fora do que no mundo que eu criei para você.

