Empatia

Longe de ser um dom inato, a empatia é uma habilidade que se aprimora e se desenvolve com árdua persistência. Essa generosa aptidão em compreender os sentimentos alheios, além de incorporar qualidades invejáveis, faz parte de nossa cura e evolução nestas breves passagens terrenas.   

Ao cultivar a empatia, preparamos relações humanas com mais significado e assim nos conduzir para atmosferas além da superficialidade, tanto do entendimento quanto da intimidade. E nessa esteira, somos agraciados com a resiliência.

A empatia emocional trata da competência de sentir o que o outro sente. Criamos com isso, conexões mais interessantes entre as pessoas.

Ao adentrar à casa da filha, vovó Matilda riscou o tapete com pegadas marrons, cremosas e fedidas. Todos ficaram pasmos. Ao ser questionada e perceber o que tinha acontecido, bradava indignada com as pessoas que não eram capazes de recolher os dejetos de seus animais de estimação. Enquanto isso, num canto da sala, seu neto  enrubescido imaginou exatamente onde ela havia encontrado o montinho deixado pelo cusco da família que levara para passear dez minutos antes. Condoído, apressou-se em limpar o piso e os sapatos da avó, prometendo nunca mais deixar de usar os saquinhos plásticos oferecidos pelo condomínio em dezenas de pontos.

A empatia cognitiva permite a compreensão do ponto de vista alheio. Suas razões, critérios e motivações. Abdicando de juízos, iniciamos um genuíno estreitamento entre os espíritos.

Após estacionar seu veículo num local escancaradamente sinalizado como vaga exclusiva para 60+ com credencial, a jovem se depara com um homem bem vestido que, educadamente, lhe interpela a respeito. Alegando pressa e que seria por apenas alguns minutos ela se desmantela quando o bondoso cidadão lhe informa que em apenas alguns segundos poderia chegar ali uma senhora necessitando também por breves instantes. Um tanto contrariada, retira seu automóvel para outra vaga. À noite, após o jantar, ainda refletia sobre o assunto. Quem sabe tenha aprendido algo.

A empatia compassiva parte do entendimento e do sentimento. Quando se percebe que, ao observar alguém sofrendo, também se sofre. Compreendendo o que o outro está passando por querer ajudar, mudando alguma coisa em nós mesmos para deixar a vida do próximo um pouco melhor. 

Nas noites frias e chuvosas, Maria adora acionar o split da suíte, ligar o aquecedor no banheiro e preparar seu banho. Momento para relaxar após intenso dia de trabalho. Refestela-se na ducha pressurizada com a água na temperatura ideal já desejando o delicioso jantar sendo preparado pelo esposo. De súbito, a imagem daquele morador de rua, sob a chuva e frio, deitado na calçada e coberto por uma caixa de papelão desmanchada lhe vem à memória. Lembra-se também da grande quantidade de roupas que há mais de três invernos não utiliza. Hora de desapegar. Doações são bem-vindas.

Praticando empatia, antagonicamente, nos enriquecemos antes dos outros. Desejar o bem dos outros sem contar com reciprocidade, já que a dor de um é também a dor de todos. O altruísmo, desse modo, surge espontaneamente.

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