Por um fio

Pensar fora da caixa é olhar além

Pensar que se abre uma tênue mancha branca

Imaginar que dela surge um pulmão

Ligado a um fio que irradia luz

Ela dá forma a um corpo

E ele flutua no ar

Sobrevoa enquanto tem a vista de cima

Fora da caixa

 

Abaixo uma imensa escuridão

Não amanheceu

O fio persiste

A mata é densa e esconde os corpos

Caídos na terra batida e encharcada de sangue

Cansada de ser pisoteada  

Devastada pelas grandes potências

– Como acabar com isso?

 

Esse fio poderia ser o que sai da voz

Esse que denuncia

Que amarra a caixa

Que une as mazelas da vida

Fio da navalha

 

Pode ter início, meio e fim

Pode surgir num estado de impermanência

Se unidas as pontas

Ele perdura

E continua sendo um fio

Tem vida

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima