Cadê o João?

A irmã mais velha corria de um lado para o outro, gritando:

– Joana, você só tinha que cuidar do João enquanto eu ajudava a mãe. Como foi deixar ele sumir.

As duas irmãs, uma de 12 anos e a outra de 10, Joana, dividiam as tarefas da casa: a mais velha ajudava a mãe na limpeza e arrumação e Joana cuidava do irmão menor, João, de quatro anos.

Segundo a mais velha, era um privilégio a tarefa de cuidar do irmão menor, pois podia brincar com ele, enquanto ela tinha que passar pano na casa, tirar o pó e até ajudar a mãe a cozinhar.

Joana gostava muito de ler gibis. Às vezes lia para o irmão, mas esse nem sempre se interessava. Era comum Joana distrair-se lendo e, quando se dava conta, lá estava João comendo terra ou brincando com vidros.

Naquele dia, a historinha da Mônica e do Cebolinha estava muito interessante. João, ao lado dela, ouvia atentamente. Mas aos poucos foi perdendo o interesse. Joana estava absorta na leitura e nem viu João se afastar. Foi quando ouviu o grito da irmã mais velha:

-Cadê o João?

-Não sei, ele estava aqui até há pouco.

E lá saíram as duas desesperadas pela vila onde moravam. Não era grande, mas passava uma estrada perigosa ao lado. Chamaram, chamaram e nada. De repente Joana viu ao longe um menino sentado. Correu para lá e João disse:

-Oi! Eu estava com sede e saí pra tomar água. Achei essa garrafinha. Eu tô legal, disse ele, fazendo um positivo com seu dedinho sujo e seus verdes olhos brilhantes.

-Mônica bateu na Cebolinha de novo, Joana?

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