Entre um lugar e outro, no meio do caminho, fora de casa, moram a incerteza e a espera.
A casa é o lugar onde construímos sonhos e projetos, abrigados pela esperança.
Que esperança pode ter quem não tem casa, está fora dela e busca por uma?
É possível transmitir segurança aos filhos em zonas de guerra, onde ninguém está à salvo?
Há muitos anos uma chuvarada alagou um dos bairros de Porto Alegre. Contaram, eu ouvi falar, que temporariamente as famílias foram abrigadas em um ginásio. Correram repórteres de rádio e TV e entrevistaram um menino: está te faltando alguma coisa? Não, respondeu ele, tenho meus pais, meus amigos e cachorro quente!
Fiz o maior bolo que consegui carregar e cheguei horas depois, mas não sozinha. A cozinha era uma alegria só. Ali as crianças sabiam que tinham para onde voltar e o acampamento era provisório.
Provisória e grande é a vida, mas para alguns, um só instante.
Às vezes tentamos arrumar laços para que a passagem seja mais amena, segura e confortável. Um casal ou um grupo estão mais seguros que alguém sozinho? E quando alguém do time faz gol contra? Estamos com e pelos outros que estão conosco, ou por nós, já que mais fortes do que desacompanhados?
Contam que no final, o acampamento dos sem terra Encruzilhada Natalino resistiu com as mulheres e seus filhos à frente, quando os homens eram impedidos de sair.
Contam, também, há mais tempo ainda, que o apóstolo Pedro teria perguntado a Jesus, Para onde vais, Senhor? quando o encontrou fugindo de Roma, durante a perseguição. Jesus respondeu que teria que retornar e ser crucificado novamente, pela fuga de Pedro.
Quero pensar que ele voltou a tantos lugares e esteve e está presente em todas as coisas, inclusive acompanha as crianças sem sorriso, sem terra. E com esperança.

