Desde menina me impressionava com a quantidade de imagens, santinhos e pequenas relíquias religiosas que as pessoas compravam e guardavam como verdadeiros amuletos da sorte e da felicidade.
Não conseguia compreender como esses pequenos objetos eram tão venerados por muitos. Afinal de contas, eram apenas feitos de gesso, por mãos humanas, às vezes artísticas, ou produzidos em série. Não via nada de sagrado nesses itens.
Passados longos anos, minha opinião não mudou. Pelo contrário, minha análise se aprofundou sobre o tema. Entendo que esse tipo de comércio é necessário e importante para a economia de uma cidade. Mas colocar sonhos, desejos e o destino da própria vida nas mãos de uma estátua feita e pintada por humanos é muito esquisito. Ainda mais que tem muita gente que ganha dinheiro às custas da fé inocente de outros, iludindo-os, principalmente em datas comemorativas de santos.
Por falar em fé, respeitando todas as religiões que usam essas imagens em seus ritos, penso um pouco diferente. As imagens devem nos reportar apenas para uma lembrança reflexiva sobre a santidade e divindade que elas representam, nunca uma veneração pura àquela imagem. Acho muito estranho o comportamento dessas pessoas.
Há algumas situações de verdadeira histeria na venda e compra dessas imagens, assim como na veneração dessas esculturas: os vendedores gritam, competem entre si, brigam para vender primeiro e o máximo que puderem, já que nem sempre é dia de santo.
Os compradores, por sua vez, na maioria pessoas humildes e sedentas por milagres nas suas vidas pobres e sem esperanças, se aglomeram nas ruas, avenidas e lojas, principalmente nessas datas. A ânsia pela realização de pedidos ou agradecimento por graças concedidas é enorme.
Mas, por que será que os seres humanos necessitam de algo material para expressar seu sentimento, sua fé, sua crença? Não seria suficiente dobrar os joelhos e olhar para o alto? Agradecer a Deus e, se for o caso, pedir e suplicar por algo que tanto precisa? Difícil, não? Tudo tem que ser palpável, visto, tocado. Caso contrário, parece que nada existe ou acontece. Então, cria-se a necessidade de ídolos. Idolatria!
Creio que grande parte da população é idólatra. Adora-se imagens, adora-se pessoas, adora-se ídolos. Há uma necessidade de canalizar as nossas expectativas nessas coisas, principalmente em relação a fé. É a segurança que se procura, a vontade de ter uma bengala, um esteio, um porto seguro para se apoiar e seguir em frente. Só que as pessoas não se dão conta que isso tudo é ilusão.
Tudo passa. As imagens se quebram, as pessoas morrem e os ídolos decepcionam. Só uma coisa fica: a Palavra!


Muito bem colocado! Concordo plenamente…A fé é inabalável, não precisa de amuletos