Tem dias que a gente se sente
Com uma vontade louca de respirar
A gente respira fundo,
Ou do contrário vai sufocar
A gente quer ter natureza
No nosso bem viver,
Mas eis que chega o progresso
E não deixa mais isso acontecer
Cresce muro, cresce espigão, cada vez mais rápido
O tempo das cidades com a natureza quase desapareceu, como dói nosso coração!
A gente vai chorar de saudades,
Até não aguentar
No caminho pelo passeio onde tinha uma praça
Agora só tem prédios altíssimos com janelas mil
Faz tempo que a gente ficou inerte
Cresce muro, cresce espigão, cada vez mais rápido
O tempo das cidades com a natureza quase despareceu, como dói nosso coração!
A roda de amigos a conversar vendo as brincadeiras das crianças
É cada vez mais rara, não há segurança, nem tempo, nem lugar
Não tem mais canção
A praça sumiu, os pássaros foram embora
A gente tenta admirar essas arquiteturas monumentais
Olhamos para cima e o concreto nos dá um nó na garganta,
As construções são tão grandes que começam a nos enjoar!
Cresce muro, cresce espigão, cada vez mais rápido
O tempo das cidades com a natureza quase despareceu, como dói nosso coração!
As danças dos voos dos pássaros e o perfume exalado do mato, o progresso levou
Primeiro devagarinho, depois um furacão que nada mais deixou
Faço força para não chorar da tristeza que carrego no peito
Mas eis que a saudade de um tempo bucólico me faz pensar
Cresce muro, cresce espigão, cada vez mais rápido
O tempo das cidades com a natureza quase despareceu, como dói nosso coração!
*paródia livre da música Roda Viva – Chico Buarque de Hollanda e MPB4-1968

