Encantamento: horizontes e arco íris

Lá do alto, bem alto, vejo um horizonte, bem horizonte com o sol nascendo. Estou voando em um balão policromático. Céu cor de céu, recebendo os primeiros raios de sol, morros cobertos de vegetação, salpicados  de flores.  Encantamento.

Já do chão, sentada em uma poltrona, vejo um arco-íris no horizonte do palco, no figurino das bailarinas e até na música – ah, a música do Mágico de Oz! É só um cenário virtual, eu sei.  Encantamento. 

Confesso que não consigo decifrar nas fotografias sem a tão desgastada expressão “profusão de cores”, qualquer paisagem desconhecida. A aridez  mostrada  em preto e branco  me deprime; ou talvez a falta delas, as cores, causem esse efeito. Não  imagino uma pessoa, feliz e sonhadora como eu, vivendo em um lugar assim. Ausência de cores e horizonte estreito tolhido pela montanha que eu não conseguiria escalar. 

Aqui na minha cidade o que não falta é cor no horizonte. Seja no amanhecer ou entardecer, o sol dá espetáculo, sem montanha e sequer um morrinho qualquer pra atrapalhar. Quando nasce, é pra valer. E agoniza soberbo, usando as mais lindas tintas.

Um grupo de Facebook (Araraquara Encantadora) publica fotos de pessoas em eventos festivos, de construções desaparecidas com a chegada do progresso, monumentos, ruas e praças  antigas. São muitas fotos originalmente captadas em preto e branco. Então, são tratadas e  revelam  pessoas com roupas muito coloridas. Só quem foi jovem nos anos setenta do século passado entenderá. Curioso que não vejo fotos do pôr do sol. Impossível colorizar?

Isso me traz outra lembrança. Quando era criança, assistia a documentários em P&B na abertura das matinês. Achava as cidades sem graça e as pessoas descontentes porque andavam muito rápido e não viam cores para se encantar. As telas  me enganam há muito tempo.

Agora, já adiantada em anos, ainda tenho dificuldade de enxergar cores inexistentes em fotos, principalmente de paisagens. Preciso de um tradutor, talvez alguém que conheça o lugar ou o próprio fotógrafo. Não se escolhe um tipo de registro sem uma intenção.

 Quanto aos sonhos e lembranças,  já chegam coloridos e se traduzem por si.

 E, mesmo que a vida insista nos caminhos em preto e branco, sigo andando por estradas de tijolos amarelos, que levam ao palácio das esmeraldas.

O horizonte? É só o lugar onde nasce o sol e mora o Arco Iris. Encantamento.

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