O que é o amor? (ou: Onde está o amor?)

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã

Porque se você parar pra pensar, na verdade não há.”

Renato Russo, Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos.

 

– Eu te amo! – diz o jovem à jovem.

O amor platônico – o amor como busca pela perfeição, segundo Platão – talvez seja a primeira manifestação consciente que damos a esse sentimento. Mais do que um sentimento racional, é uma declaração recheada de hormônios e desejo de conquista. Espera aí: o amor é racional?

Filósofos renomados já estudaram e versaram sobre o tema. Platão, além de defini-lo como uma busca pela perfeição, descreve o amor como algo alcançado por uma escada que começa com a atração física, passa pela sabedoria e pelo bem absoluto. Aristóteles diz que ele só floresce entre pessoas boas, e Sófocles o via como uma força libertadora. Para Nietzsche, o amor consiste em ver o outro em sua totalidade, sem rótulos. Particularmente, gosto do que diz Erich Fromm e Simone de Beauvoir. Erich diz que o amor é uma escolha consciente e uma prática diária. Simone, por sua vez, acredita que amar é reconhecer o outro como sujeito livre, e não como posse.

            A terceira lei de Newton diz: “Para toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade.” Metaforicamente, se considerarmos o amor uma ação, o ódio – ou desamor – será a reação. Pensadores clássicos e contemporâneos tratam, de forma geral, o antagônico do amor como sintoma de desequilíbrio ético, social e existencial. Erich diz que o desamor é uma forma de defesa contra o medo e a insegurança. Simone afirma que tal sentimento aparece quando não reconhecemos o outro como sujeito livre e, consequentemente, caímos em relações de posse.

            Deixando pensadores e seus conceitos à parte, como nós – reles mortais – percebemos o amor?

            Eu, reles mortal, fabricado com uma forma exclusiva que foi quebrada após meu nascimento, falo por mim. Talvez minha percepção encontre aderência a um ou outro conceito filosófico. Se isso acontecer, é irrelevante.

            Redefino o amor a cada dia. A cada nova revisão, retroajo ao berço para me rearranjar e me aprimorar de hoje em diante. O amor dos pais é um exemplo: só o entendi quando adulto. Nascemos com a configuração padrão de amar a família – pais, irmãos e filhos –, o que torna esse afeto algo já consolidado, exigindo apenas manutenção. Além desse padrão, construí amores óbvios, aqueles que onze entre cada dez viventes procuram: por amigos e por alguém com quem dividir a vida. O amor mais difícil de compreender – e um dos mais gratificantes – é o teórico, tipo: “Amai-vos uns aos outros” ou “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã” – como canta a Legião Urbana. É complicado entender por que tantos pregam essa teoria e tão poucos a colocam em prática.

            Se sei o que é, sei onde está? Aprendi a amar, ser amado e conquistar o amor. Na conquista, não sabia onde estava a reciprocidade. Encontrei-a por tentativa e erro. Também aprendi a contemplar a expressão do amor no olhar de jovens namorados, no rosto preocupado dos pais, na surpresa de quem recebe flores, nas mãos dadas do casal de velhinhos e, principalmente, na serenidade de um rosto amparado pelo afeto de alguém.

            E, para aquela menina de quinze anos que conheci quando tinha dezessete, continuo declarando meu amor. Afinal, reconquistá-la diariamente é um elixir da juventude.

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